O cenário brasileiro no Dia Mundial do Câncer
No dia 4 de fevereiro é celebrado o Dia Mundial da Luta contra o Câncer. O objetivo da data é aumentar a conscientização e a educação mundial sobre a doença, além de influenciar governos e toda a sociedade para que se mobilizem pelo controle do câncer evitando milhões de mortes a cada ano. Em tempos de pandemia, o apelo é ainda mais importante.
Quantas pessoas no mundo deixaram de fazer os exames de rotina? Quantas cirurgias e tratamentos foram adiados? É consenso na literatura médica que o câncer, ao ser diagnosticado no início, tem grandes chances de cura.
Também por causa da pandemia, o investimento por parte dos governos em melhorias e ampliação de centros e hospitais tratamento do câncer foi bastante afetado.
Só na área de Radioterapia, por exemplo, que já tinha um déficit em todo o Brasil, a situação tende a piorar. A Radioterapia é um importante e imprescindível tratamento para vários tipos de câncer, fazendo com que os tumores diminuam ou até desapareçam. 60% dos pacientes com câncer têm indicação de radioterapia para curar, auxiliar no tratamento ou para aliviar os sintomas da doença. A Radioterapia é uma das modalidades de tratamento oncológico mais custo-efetiva.
O último levantamento do Ministério da Saúde de 2018, diz que há no Sistema Único de Saúde (SUS) 295 aparelhos para radioterapia, mas segundo recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), o número ideal seria de 697, ou seja, um aparelho para cada 300 mil habitantes.
E para agravar o cenário, mais da metade do parque atual de radioterapia estará obsoleto em 2022, por isso pessoas em tratamento poderão ter uma expectativa de vida diferente, a depender do hospital em que forem atendidas.
No Brasil, enquanto algumas regiões possuem o que há de mais moderno com aparelhos de alta precisão, outras sequer oferecem o básico. O problema é tão sério que apenas 50% dos pacientes do SUS são atendidos para fazer Radioterapia, sendo que em média seis de cada 10 pacientes com câncer têm indicação para radioterapia, mas somente três conseguem o atendimento pelo SUS.
Em alguns estados, os pacientes têm que fazer um grande deslocamento para realizar o tratamento, principalmente no norte e nordeste do país. Há casos, de pacientes terem de viajar mais de mil quilômetros para conseguir fazer a radioterapia, como em Roraima, onde algumas pessoas chegam a percorrer 1500 quilômetros para se tratar.
Tudo isso culmina com números alarmante, segundo a Sociedade Brasileira de Radioterapia, nos próximos 10 anos mais de 6.200 mortes podem ser evitadas se todos tiverem acesso a radioterapia.É necessário e urgente a adoção de políticas públicas no setor. Em 2035 a população brasileira será de 229 milhões de habitantes de acordo com projeção do IBGE.
Considerando o parque de máquinas atual e a obsolescência serão necessários 577 novos equipamentos de radioterapia. Ou seja, aumento de 150% da capacidade instalada. Para ampliação dos serviços, também serão necessários investimentos em infraestrutura, como na construção de bunkers para instalação dos equipamentos, além de treinamento de pessoal.
A tarefa parece hercúlea, mas vale o prêmio. O diagnóstico e o tratamento precoce do câncer salva vidas e por isso, nesse dia, desejo muita força a todos os que lutam essa batalha a favor da vida.
Publicado originalmente no Portal JBA

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